O dólar fechou a quinta-feira (4) em queda de 1,25% e cotado a R$ 5,62 no Brasil – em um movimento que se repetiu, em todo o mundo, de enfraquecimento da moeda americana após o "tarifaço" anunciado por Donald Trump na véspera.
Ou seja: por enquanto, o mercado brasileiro está sofrendo menos do que o previsto.
O quadro reforça a posição dos assessores do presidente Lula que defendem insistir nas negociações, evitando uma retaliação neste momento aos EUA.
Diplomatas e assessores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio entendem que a reação muito negativa às medidas de Donald Trump, inclusive dentro dos Estados Unidos, vai acabar levando o presidente americano a abrir espaço para negociações.
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Segundo esses assessores, Trump não vai simplesmente recuar, mas ele pode flexibilizar as medidas para tentar passar a imagem de que não intransigente.
Seria o caminho para, de fato, recuar pelo menos em parte diante dos problemas que o tarifaço está gerando no mundo e nos Estados Unidos.
A reação da China, de aumentar suas tarifas de importação de produtos americanos no mesmo percentual aplicado por Trump, 34%, vai acabar contribuindo para que o presidente dos EUA seja forçado a dar um passo atrás. Caso contrário, a economia americana vai sofrer muito.
No caso do Brasil, a decisão de esperar um pouco mais é, na avaliação de assessores, o melhor caminho, porque o país deixa para outros parceiros mais fortes a função de confrontar Donald Trump.
Como foi o caso da China, que deve ser seguida pela União Europeia. O mercado brasileiro foi menos atingido, com a tarifa linear de 10%, criando inclusive espaço para que as empresas brasileiras ocupem espaço no mercado dos EUA pelos países asiáticos e da Europa.
Neste momento, por sinal, a prioridade da equipe de Lula é tentar um acordo sobre o aço e o alumínio, que foram taxados em 25%. Os negociadores brasileiros esperam contar com o apoio de empresários norte-americanos que serão prejudicados com o aço mais caro vindo do Brasil.
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Fonte: G1