Se for aprovado, parecer ainda vai a plenário; cassação requer voto 'sim' de 257 deputados. Discussão em abril de 2024 evoluiu para agressões entre Braga, Kim Kataguiri e militante. O relator do processo contra o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), votou nesta quarta-feira (2) pela cassação do mandato do parlamentar.
O parecer de Magalhães afirma que Glauber cometeu desvios de conduta ao expulsar, aos chutes, um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) do interior da Casa, em abril de 2024.
As conclusões do Paulo Magalhães ainda precisarão ser votadas pelos membros do Conselho de Ética, que podem aceitar ou rejeitar o parecer.
Glauber Braga só perderá o mandato se a eventual decisão do colegiado nesse sentido também for referendada pelo plenário da Câmara por, no mínimo, 257 dos 513 deputados.
Deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em imagem de arquivo
Luis Macedo/Câmara dos Deputados
O deputado do PSOL se tornou alvo do Conselho de Ética ainda em abril do ano passado, poucos dias depois do episódio com o militante do MBL.
Em 16 de abril de 2024, Glauber protagonizou embates físicos com o membro do MBL Gabriel Costenaro e o deputado Kim Kataguiri (União-SP), um dos fundadores do movimento.
Braga e Costenaro discutiram verbalmente em um dos anexos da Câmara. O desentendimento evoluiu para empurrões e chutes do parlamentar contra o militante, em uma tentativa de retirá-lo à força das dependências da Casa.
Na ocasião, a discussão seguiu para o exterior da Câmara e precisou ser apartada por policiais legislativos, que conduziram os dois para prestar depoimento no Departamento de Polícia Legislativa (Depol) da Câmara.
Já no Depol, Glauber Braga passou a discutir com Kim Kataguiri, que havia se dirigido ao local para acompanhar o correligionário do MBL.
Vídeos mostram que, em determinado momento, Glauber segura e pressiona as mãos de Kim, ato que o Novo — autor da representação contra Glauber Braga no Conselho de Ética — também classifica como agressão física. Os parlamentares ainda trocaram empurrões.
Relembre o caso no vídeo abaixo:
Deputado Glauber Braga, do PSOL, expulsa integrante do MBL da Câmara com chute e empurrão
????? Criado em 2001, o Conselho de Ética já aprovou 24 recomendações de perda de mandato — a última deles pedia a cassação de Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), acusado de mandar matar Marielle Franco.
????? Desse total, somente oito foram aceitas pelo plenário da Câmara. Outras dez acabaram rejeitadas pelo conjunto dos deputados. O processo que trata de Brazão não foi analisado até o momento.
O que diz Glauber Braga
Em 2024, no momento da abertura do processo, Glauber Braga pediu um "julgamento justo" e disse não se orgulhar e não se arrepender do episódio.
Na fala, o deputado apresentou um histórico de supostas agressões do militante do MBL. Ele mencionou ameaças de Costenaro à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a uma mulher de 70 anos. Glauber ainda classificou o militante como um "marginal que veio ao Congresso".
"[Peço um] julgamento justo, onde a gente tenha oportunidade de ouvir todas as testemunhas. Não vou me dobrar à milícia fascista, que fez tudo isso e mais um pouco. [...] Não me orgulho daquilo que fiz e não me arrependo. A minha ação é da proporcionalidade e posso dizer que, frente a tudo que esse marginal fez, não chegou a ser proporcional", disse.
Em nota divulgada após o tumulto, Glauber afirmou que Costenaro havia ofendido uma pessoa. O parlamentar acusou, ainda, o militante de buscar confronto com integrantes do PSOL para conseguir engajamento político.
À época, Gabriel Costenaro era pré-candidato a vereador pelo Rio de Janeiro — em 2024, ele tentou se eleger e não conseguiu.
"Esse sujeito do MBL tem histórico de agressão a mulheres. É a 5ª provocação dele! Na 4ª vez ele ameaçou a mãe de um militante nosso com mais de 70 anos dizendo que sabia onde ela morava. Já existe boletim de ocorrência sobre isso! Não me arrependo de nada do que fiz! Não vou recuar pra fascista de MBL!", escreveu.
Fonte: G1