G1
Proposta tramita em regime terminativo e, se aprovada, pode seguir direto para análise da Câmara dos Deputados. O Senado Federal deve votar, nesta terça-feira (1º), um projeto que cria a Lei da Reciprocidade, em resposta às últimas medidas do presidente norte-americano, Donald Trump, que ampliou para 25% a taxa de importação do aço e do alumínio brasileiros. A proposta está na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em regime terminativo, - ou seja, não precisa necessariamente passar pelo plenário. Se o texto for aprovado na CAE e em cinco dias não receber nenhuma proposta de emenda, pode seguir direto para a Câmara dos Deputados."O risco de medidas protecionistas se espalharem pelo mundo sob a pauta da sustentabilidade é assunto que preocupa os brasileiros, sobretudo diante do atual panorama do comércio internacional", afirmou a senadora Teresa Cristina (PP-MS), autora do texto.Tarifas de Trump sobre aço e alumínio entram em vigor e atingem todos os paísesO projeto considera determinadas medidas nocivas para o estado brasileiro. Entre elas estão aquelas que: interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil [...] por meio da aplicação ou da ameaça de aplicação unilateral de medidas comerciais, financeiras ou de investimentos;violem ou sejam inconsistentes com as disposições de acordos comerciais, ou, de outra forma, neguem, anulem ou prejudiquem benefícios ao Brasil, sob qualquer acordo comercial;configurem medidas unilaterais com base em requisitos ambientais que sejam mais onerosos do que os parâmetros, normas e padrões de proteção ambiental adotados pelo Brasil.Nesse último item, o texto ainda diz que o governo brasileiro fica proibido de assinar acordos internacionais com cláusulas que restrinjam a importação de produtos brasileiros sem que os países signatários adotem medidas de proteção ambiental equivalentes.Navios porta-contêineres são vistos no porto de Santos.Alexandre Meneghini/ AP PhotosO texto prevê também que o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) seja o órgão responsável pela adoção das chamadas contramedidas aos ataques à soberania do Brasil. Entre as possibilidades de retaliação estão:a suspensão de concessões ou de outras obrigações do País relativas a direitos de propriedade intelectual;a imposição de direito de natureza comercial incidente sobre importações de bens ou de serviços do país ou bloco econômico avaliado;outras medidas de suspensão de concessões ou de outras obrigações do País em quaisquer acordos comerciais de que o Brasil faça parte."As contramedidas previstas deverão ser, na medida do possível, proporcionais ao impacto econômico causado pelas ações, políticas ou práticas", pondera o projeto de lei.O Conselho da Camex ainda poderá adotar contramedida provisória, no decorrer das seguintes etapas de discussão para implementação de sanções contrárias:realização de consultas públicas para a manifestação das partes interessadas;determinação de prazos para análise do pleito específico;sugestão de contramedidas.Ao mesmo tempo que permite resposta econômica a danos econômicos causados ao Brasil, o texto ainda obriga que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) participe das discussões sobre possíveis sanções econômicas instauradas de forma definitiva.Todas as medidas adotadas poderão ser revistas com base em análises periódicas dos efeitos causados e em negociações diplomáticas.SubstitutivoA proposta original é de autoria do senador Zequinha Marinho (PL-PA) e previa reciprocidade econômica apenas no que diz respeito ao cumprimento de padrões ambientais compatíveis aos adotados no Brasil.Mas depois que os Estados Unidos decidiram taxar o aço e o alumínio brasileiros, os senadores resolveram modificar o projeto e ampliar ainda mais a regra de reciprocidade."Ele responde, em larga medida, pela iniciativa do autor, bem como ajuda a compreender os motivos que levaram à sua apresentação", justificou a senadora Tereza Cristina, que assinou o projeto-substitutivo.OMCO novo texto surge também como uma medida alternativa a possíveis sanções impostas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) contra decisões unilaterais, que desequilibram o mercado mundial.Criada em 1995, a OMC tem como função garantir a abertura e a manutenção do comércio mundial. E para isso, o órgão serve de corte arbitral para negociações de redução e eliminação de obstáculos comerciais entre países – como tarifas de importação e outras barreiras comerciais.A senadora Tereza Cristina justifica que a OMC "experimenta a suspensão das atividades do órgão de apelação do seu sistema de solução de controvérsias.""Essa Organização é a pedra angular do sistema de comércio multilateral [...] mas se encontra paralisada e existe um vácuo legislativo no nosso ordenamento jurídico para enfrentar situações como as descritas", afirmou a senadoraTereza Cristina ainda lembra que para casos como o proposto pelo presidente norte-americano Donald Trump, o parâmetro jurídico brasileiro prevê apenas seguir um normativo da OMC e não possui qualquer regramento próprio sobre o assunto.